A mãe da menina desapareceu na Rua do Cais. O velho pescador explicou para a menina que as mulheres da Rua do Cais desapareciam por vontade própria. Pulavam e sumiam no mar, porque lá viviam melhor. Viravam peixe. E peixe não grita nem deixa rastros.
A menina chorou. O velho passou a mão na sua cabeça e disse que poderia pescar sua mãe de volta. Colocaria ela num aquário bonito, cheio de algas. Era só segui-lo para trás das pedras, onde ficavam os peixes mais bonitos.
A menina sorriu, e aceitou. Antes de irem, correu para a beira do cais e apontou para água. Mostrava para ele qual peixe era sua mãe.
— Aquele!
O velho foi até ela e aproximou-se da beirada.
— Não vejo…
Agachou-se, mais perto. A menina empurrou o velho.
Ela ficou sem peixe, mas nunca mais uma mulher desapareceu na Rua do Cais.
Adaptação para versão em microconto
Na Rua do Cais, mulheres sumiam no mar: viravam peixe, dizia o velho pescador. Prometeu à menina pescar sua mãe de volta — bastava segui-lo atrás das pedras. Ela sorriu e apontou o peixe: “Aquele é mamãe!” O velho se inclinou. A menina o empurrou no bravo mar. Nunca mais mulher sumiu na Rua do Cais.
Jéssica Marcon Dalcol
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