Por detrás das grades, o prisioneiro viu chegar um novo detido. Tão logo o prenderam, o homem engravatado se pôs de pé na cela e disse a palavra da Lei. O guarda, que há poucos segundos atrás o trancara, destrancou a porta e deixou-o sair.
O prisioneiro limpou a garganta e repetiu, em alto e bom tom, a mesma palavra. Nada aconteceu. Insistiu, por dias, meses, anos. Nunca o libertaram.
O guarda, cansado da cacofonia, o enforcou.
Só diante da morte ocorreu ao prisioneiro que a senha não era a Palavra, mas o colarinho que a dizia.
Jéssica Marcon Dalcol
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